Desenvolvimento Sustentável

 

Marina Silva começou sua militância no Acre, onde foi uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1984, ao lado do seringueiro Chico Mendes. Em 1988, elegeu-se vereadora. Em 1990, deputada estadual. Foi Ministra do Meio Ambiente e atualmente é Senadora pelo Acre.

 

A discussão acerca do desenvolvimento sustentável traz novas demandas: como sair do discurso, para a prática; quais métodos podem ser considerados eficazes; o que falta às pessoas para, de fato, modificar posturas e alcançar novos sentidos para a vida. A Senadora, em palestra na universidade, dialoga com jovens, professores e gestores sobre a nova liderança: A Liderança Multicentro, que faz as coisas COM as pessoas, e não mais para as pessoas.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

 

Discutir desenvolvimento sustentável leva em conta dialogar sobre a visão do homem consigo mesmo, e com a natureza. Buscar uma perspectiva de conhecimento interdisciplinar, em que cada um, com o seu modo de ser e de fazer, perceba-se sustentável e sustentando o outro. Não se deve levar em conta apenas o que não fazer. É preciso explicar o que se pode fazer, bem como as formas corretas, o como se pode fazer.

 

 

QUALIFICAR

 

Desenvolvimento sustentável virou panacéia para todas as coisas. Não se pode ungir determinados processos para isentar os reais problemas que se cria. É necessário, assim, qualificar a idéia de desenvolvimento sustentável.

 


CAMINHO

 

As soluções nunca serão definitivas. A história se faz dentro de um processo e dinâmica cumulativos em que serão assimilados, acomodados e resignificados os valores. A sustentabilidade tem várias dimensões: A dimensão ambiental; social; a econômica; cultural; política; a ética e a estética.

 


SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

 

Diz respeito à capacidade de suporte dos recursos naturais.

 

 

SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA

 

O modelo tem que ter condições de continuar se reproduzindo, atendendo às gerações presentes e futuras. É fácil defender os direitos de quem está aqui. Difícil é defender os direitos dos que ainda não nasceram.

 

 

SUSTENTABILIDADE SOCIAL

 

Diz respeito à equidade. Se o modelo é viável, no sentido econômico, mas não é capaz de distribuir renda e riqueza para que as pessoas possam desenvolver as suas potencialidades, então não há sustentabilidade social.

 

 

SUSTENTABILIDADE CULTURAL

 

O modelo que busca homogeneizar a cultura não é viável. Nós somos por natureza, diversificados, em vários aspectos. Só no Brasil temos mais de 200 povos, falando mais de 200 línguas com conhecimentos tradicionais de riqueza imensurável. Estas culturas e comunidades precisam continuar a se reproduzir de acordo com suas características.

 

 

SUSTENTABILIDADE POLÍTICA

 

Diz respeito à sustentação que a sociedade dá, para que determinadas políticas aconteçam. O político deve estar alinhado com aquilo que quer a maioria. O político só consegue legitimar suas ações se tiver o aval da sociedade.

 

 

SUSTENTABILIDADE ÉTICA

 

A Embrapa já afirma ser possível dobrar a produção de grão sem derrubar uma única árvore. Conhecimento e respostas técnicas já temos. Falta sustentabilidade ética. A sociedade deve induzir cada vez mais as decisões políticas e empresariais. Deve impulsionar para as mudanças necessárias ao equilíbrio do planeta.

 

 

SUSTENTABILIDADE ESTÉTICA

 

As paisagens naturais precisam ser preservadas.

 

 

O QUE FAZER?

 

Visão – Processo – Estrutura. A união destes três fatores contribui para os resultados. O desejo nos mobiliza, mas é necessário ser um desejante que opere e que seja capaz de colocar em marcha um sonho. Não podemos ter pensamentos infantilizados de que apenas o desejo trará os resultados. A visão nos leva às mudanças civilizatórias. Já o processo é tão importante quanto o resultado. Muitas vezes resultados se inviabilizam por um processo mal construído.

 


TRANSPARÊNCIA E LIDERANÇA

 

A transparência deve fazer parte do processo, sob pena de cair em descrédito. Quanto à liderança, um bom caminho é a Liderança Multicentro - líderes para cada processo - e fazendo as coisas com as pessoas, e não para as pessoas.

 


O SENTIDO DAS COISAS

 

A visão deve vislumbrar um sentido. Nós estamos adoecidos por causa da falta de sentido das coisas. Temos as melhores formas de conhecimento, ensino e aprendizagem.... e temos muitos e muitos analfabetos, o que não faz sentido. A nossa capacidade de produzir grãos, enorme... mas pessoas morrem de fome. As saídas devem fazer sentido. Não podemos adoecer coletivamente. Precisamos de princípios éticos e valores comuns.

 


A CONTRIBUIÇÃO DA CIÊNCIA

 

A ciência tem uma importante contribuição. Temos aquela baseada em postulados, de certo e errado, mas temos a ciência do saber narrativo. Os índios, as comunidades locais, as comunidades agrícolas tradicionais, possuem conhecimentos acumulados que não podem ser ignorados.


A sustentabilidade é possível. Mas, mais do que corrigir o erro, é preciso prevenir o erro. A raiz de tudo isso é um questionamento à atual forma inadequada de SER.


Marina Silva decidiu sair do Ministério do Meio Ambiente deixando respaldadas importantes medidas para a sustentabilidade, tais como a moratória dos 36 municípios; as operações de fiscalização; a vedação do crédito para quem desmata e a criminalização da cadeira produtiva em áreas ilegais.

 

Palestra realizada em setembro 2008 no UniCEUB - Centro Universitário de Brasília, na semana do meio ambiente.