PING PONG
EDUARDO FERNANDEZ
Eduardo Fernandez Silva é
Economista pela UFMG, Mestre pelo Institute of Social Sutides, Holanda.
Ex-Secretário de Estado Adjunto do trabalho e Ação Social, e de Assuntos Metropolitanos, em Minas Gerais;
Professor de Economia na UFMG, na Fundação Dom Cabral, na Fundação Getúlio Vargas;
Diretor GEral do SEST-SENAT;
Consultor de empresas;
Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados.
Os problemas com o crescimento do PIB
O cálculo do PIB considera apenas aquilo que é produzido, comprado e vendido, e não leva em conta o que foi destruído no processo produtivo. Conta o valor do automóvel, mas não o dos recursos destruídos para fabricá-lo, nem a poluição que ele gera, nem tampouco os congestionamentos que causa. O PIB começou a ser calculado há cerca de 50 anos e hoje fazê-lo crescer o mais rápido possível se tornou obsessão e critério de êxito de governos. Outras sociedades que se deixaram levar pela competição entre grupos para acumular símbolos de prestígio, semelhantes à taxa de crescimento do PIB, acabaram por destruir seus habitats, e destruíram-se no processo. Até que abandonemos a competição mencionada, continuaremos a trilhar o caminho da nossa destruição.
O modelo que o Brasil tem adotado para sair da crise
É falho, pois preocupa-se apenas em evitar a queda da popularidade do Presidente da República por meio da retomada do crescimento do PIB. Não leva em conta seus impactos sobre o meio ambiente, sobre a distribuição espacial da população no nosso território, nem mesmo outros aspectos básicos. Por exemplo, as estatística de desemprego avaliam, apenas a situação em seis regiões metropolitantas; o que ocorre no restante do Brasil não conta! Tudo isso revela falta de imaginação e aprisionamento a conceitos ultrapassados.
A crise pode virar oportunidade – exemplos de sucesso no mundo
A grande oportunidade já existente, e que a crise ampliou, é o desenvolvimento da chamada economia verde, assim como da economia de baixo carbono. O Brasil está preso na (falsa) crença de que o programa do álcool nos dá a alternativa, mas ao mesmo tempo passa a incentivar o uso do chuveiro elétrico, um produto hoje necessário mas que é absolutamente rejeitado em muito países, pois além de oferecer riscos à saúde, é altamente poluente visto que consome quantidade elevada de energia nobre apenas para aquecer água. O mercado mundial de equipamentos para a produção de energia limpa já ultrapassou seiscentos bilhões de dólares por ano, e o Brasil está completamente fora dele!
O Papel do Estado no que diz respeito à tecnologias limpas
Todos os países que assumiram papel de destaque em termos de qualidade de vida de seus habitantes alcançaram esse objetivo a partir de apoio intenso do Estado ao desenvolvimento e difusão de novas tecnologias; não qualquer tecnologia, mas as tecnologias chave dos setores em expansão. Esse é o principal sentido da corrida espacial, que deu aos EUA a dianteira nas tecnologias militar, da informação e da comunicação, ainda que eles não tenham conseguido manter esta última. Hoje, o Governo dos EUA subsidia não apenas o desenvolvimento de softwares, que depois são comercializados por empresas privadas, como também o desenvolvimento de energias limpas, campo em que outros países estão ainda mais adiantados que os norte-americanos. Aqui no Brasil, decide-se por investir o dinheiro dos impostos para realizar a Copa do Mundo e construir um trem bala, inútil embora chic, em detrimento de se cuidar da saúde, da educação e da tecnologia. Esses, sim, os investimentos que teriam mais chances de beneficiar a população em geral.
O PIB não é mais o modelo ideal de crescimento
O PIB mede o aumento das compras e vendas, fator que não guarda relação com o bem estar das pessoas. O importante é o desenvolvimento humano, conceito que ainda carece de uma definição que permita medi-lo. Quando jant a mos em casa, o PIB cresce menos do que quando vamos a um restaurante; quando prestamos serviço voluntário, o PIB não cresce, e só o faz se trabalharmos por dinheiro. Como disse, o PIB não leva em consideração a destruição do habitat. O modelo de crescimento tem que levar em conta a qualidade de vida, não o quanto compramos e vendemos. Assim fazendo, apenas reforçamos o consumismo, ampliamos a nossa Pegada Ecológica e a destruição do planeta.
O que devemos cobrar das empresas, enquanto consumidores
Devemos cobrar das empresas zerar suas P egadas E cológicas, desenvolver tecnologias limpas e exigir de seus fornecedores que façam o mesmo. Ainda que, hoje, os preços possam ser tais que dificultem este caminho, cada vez mais essa trilha será aquela que conduzirá ao desenvolvimento humano. Muito rapidamente este se mostrará o único caminho; esperamos que isso se dê ainda mais rápido que a elevação dos níveis dos mares, pois será a única maneira de evitar o agravamento dessa tragédia humana, de origem ambiental.
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